domingo, 9 de março de 2014

Ibeji-Senhores da alegria





IBEJI -SENHORES DA ALEGRIA

Ibeji é um Orixá de origem nigeriana, na África, considerado protetor dos gêmeos, no Brasil, sincretizado como São Cosme e São Damião, divindades gêmeas, padroeiros dos barbeiros, cabeleIreiros, farmacêuticos e faculdades de medicina; símbolos da inocência, alegria e otimismo na Umbanda, onde presidem uma das sete linhas de trabalho, através da qual se manifestam os Erês (A palavra “Erê’ tem sua origem no yorubá, “Iré’, que significa "brincadeira”, “divertimento", daí outra expressão comum nos terreiros “Siré”, que significa “fazer brincadeiras”.), ou seja, espíritos que se apresentam assumindo modos e trejeitos infantis em engiras de caráter festivo.

As engiras da Ibejada são realmente alegres e descontraídas. Em meio a bandeirinhas coloridas e cânticos, são compartilhados bolos, balas e refrigerantes. Tudo remete ao clima das festas populares brasileiras, onde as pessoas reafirmam a visão tradicional de que não há abundância sem carência, riqueza sem pobreza, segunda-feira sem domingo, divindade sem humanidade, vida sem morte... De fato, a vibração de Ibeji, masculina e feminina, a única permanentemente dupla entre os Orixás parece capaz de subverter a lógica cotidiana e a ordem no terreiro, com repercussões positivas no cosmo psíquico dos assistidos.

Daí essa vibração dupla, de harmonia entre opostos, nunca ser negligenciada nos terreiros, pois é reconhecida a relativa facilidade com que inverte forças negativas em positivas, contribuindo para um ambiente harmônico, facilitando a concentração dos médiuns durante os trabalhos, além de sua eficiência no desmanche de trabalhos de magia negra; os umbandistas costumam dizer: “Aquilo que um Orixá faz, Ibeji pode desfazer; o que um Ibeji faz, nenhum Orixá desfaz”.

Na natureza a vibração Ibeji está presente no início de todos os processos naturais, tal como no parto dos homens (A vibração de Ibeji protege os bebês até a pré-adolescência) e dos animais, no germinar das plantas, no doce correr de um regato, promovendo através da descontração do novo, a esperança de renovação no mundo.

Esta relação de Ibeji com o início dos processos na natureza relacionou-o aos ritos de iniciação e embora Ibeji não assuma a regência da cabeça de médiuns na Umbanda (Na Umbanda, a regência de Ibeji é um fato realmente extraordinário, mais comum é o que denominamos “estado de erê”, quando na iniciação do médium, uma alegria infantil se manifesta nele, tornando-o doce, brincalhão, cheio de energia, chegando, até mesmo, a aparentar menos idade do que realmente tem.), durante a iniciação, quando o médium permanece sob cuidados tais, como se fosse uma cirança, os erês, considerados então “Mensageiros dos Orixás”, parecem conhecer os desafios existenciais e preocupações do médium, trazendo salutares orientações.

Ibeji: quadro sintético

Dia da semana: domingo, assim como, Oxalá.

Saudações: 1. Salve as crianças!

2. Bejé Oró = “Chamar os dois!”

3. Oni, Beijada! = “Ele é Dois!”

Sincretismo: dia de São Cosme e Damião, comemorado em 27 de setembro.

Cores: rosa claro e azul celeste; azul celeste e branco (meninos), rosa claro e branco (meninas); colorido em algumas casas.

Guias: contas leitosas na cor do Orixá; em alguns terreiros, por influência do Candomblé, as guias são feitas com miçangas leitosas coloridas.

Símbolos: dois bonecos gêmeos; duas cabacinhas; brinquedos.

Domínios: parto, infância, união através de amizade e do amor.

Locais onde recebe oferendas: parquinhos, jardins, praias, cachoeiras e matas.

Oferendas: velas, fitas de cetim coloridas, suco de frutas, caldo de cana, água com açúcar, amalá (caruru), frutas doces, bolos e guloseimas caseiras.

Algumas ervas: cana-de-açúcar, jasmim, alecrim, rosa (cor de rosa), rosa mariquinha, margarida, flores coloridas e miudinhas. Animais: passarinhos, animais de estimação, especialmente os filhotes.

Observação: Ibeji corresponde à necessidade de enriquecer a vida com alegria e afeto, de fazer amigos e de realizarmo-nos a dois. Recorremos a Ibeji para desfazer feitiços; para que proteja a mãe e o bebê durante o parto; quando preocupados com o bem-estar de nossos filhos e familiares; para que abençoe nossas amizades e uniões; quando necessitados de alegria de viver.

Lendas de Ibeji

SOBRE COMO IBEJI VIROU ORIXÁ

Havia dois pequenos príncipes muito queridos pelos súditos, pois não havia problema que não se empenhassem para resolver, obtendo sempre grandes resultados, que eram retribuídos pelos súditos através da oferta de brinquedos e doces. Um dia, brincavam à beira de um rio próximo a uma cachoeira, quando um deles precipitou-se nas águas e morreu afogado. Todo o reino comoveu-se profundamente e se preocupavam com o principezinho, pois não mais se alimentava e desolado, passava os dias a chorar tão significativa perda e a rogar a Orunmilá que o levasse também. Sensibilizado pela dor do bondoso príncipe, Orunmilá (Orunmilá é um orixá, testemunha da criação e divindade da profecia, às vezes, é confundido com Ifá, este sim, de fato, a incorporação do conhecimento e sabedoria e a forma mais alta da prática de adivinhação entre os Iorubas.) resolveu levá-lo para junto de seu irmão, mas deixou na terra duas imagens de barro para que os súditos pudessem fazer seus pedidos a eles e depositarem suas oferendas em sinal de gratidão.

OS FILHOS DE XANGÔ E IANSÃ

Iansã e Xangô viviam felizes com seus dois filhos gêmeos , mas uma epidemia os atingiu e matou, deixando Xangô desolado. Iansã, que é amiga dos Eguns resolveu pedir a ajuda deles, então, esculpiu dois bonecos de madeira semelhantes a figura de seus filhos, vestindo-os com roupas de festa. Colocou-as no lugar de honra de sua casa e diariamente depositava uma oferenda aos pés das imagens, conversando com elas como se fossem os próprios filhos. Tocados pelo sentimento de Iansã, os Orixás fizeram a estátua viver. Estavam de volta os filhos de Xangô e Iansã.

(Algumas lendas referem Ibeji como filhos de Xangô e Iansã, que os desprezou, jogando-os num rio. Desde então, diz a lenda, Ibeji foram criados amorosamente por Oxum como se fossem seus próprios filhos, daí vermos em muitos terreiros os Ibejis saudados em ritos específicos de Oxum. Do mesmo modo, alguns pesquisadores afirmam que em Oyó, o povo associa Ibeji a qualidades de Xangô e Oxum. Apesar disso, não são poucos os dirigentes de terreiro que os concebem como filhos de Oxalá e Iemanjá.)

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