domingo, 9 de março de 2014

Orixá Exu- Trono da Vitalidade



Orixá Exu- Trono da Vitalidade

Sei que para alguns ainda é difícil entender a diferença entre Orixá Exu e Entidade Exu. O Orixá Exu é a nossa forma de entender uma divindade de Deus, a Divindade ou “Trono da Vitalidade”, aquele que dá vitalidade à toda a criação. A entidade exu é um espírito humano que trabalha com este mistério, todos os exus de Umbanda, todas as entidades exu, trabalham sob o amparo e sustentação do Orixá Exu.

Podemos dizer que o Orixá Exu está para as entidades Exu, assim como Oxossi está para os Caboclos, Obaluayê está para os Pretos-velhos ou Ibeji está para as Crianças. Também já foram pensados sincretismos de santos com Orixá Exu, como o próprio Expedito, Santo Antônio, São Pedro e até Menino Jesus em alguns lugares do Caribe, no qual Exu não foi demonizado e guarda em um de seus aspectos a forma jovial e inocente, que justifica sua irreverência e traquinagens mitológicas. Algo semelhante se dá com Khrisna criança que se diverte com as próprias estripulias ou com Hermes grego que ainda criança faz mil e uma artes e até rouba os rebanhos de seu irmão Apolo.

No caso do Orixá Exu ou Trono da Vitalidade, trata-se de uma divindade que atua em todas as vibrações, em todas as linhas a partir de si mesmo ou por meio dos outros Orixás. Mas este já é assunto para outro texto, ou ainda para a leitura dos títulos Livro de Exu – O Mistério Revelado e Orixá Exu (Rubens Saraceni – Ed. Madras). Quanto a Divindade ou Trono da Vitalidade também assume nomes diferentes e formas variadas nas diversas culturas, é para nós o Orixá Exu. Encontrar suas manifestações diversas é trabalho de pesquisa muito enriquecedor pois estudar outras manifestações do mesmo mistério nos traz maior compreensão sobre o mesmo. O conteúdo abaixo faz parte do título Deus, Deuses, Divindades e Anjos , do excelente autor Alexandre Cumino, eu mesmo, rs. Os resultados são fruto dos estudos de “Teologia de Umbanda Sagrada”, no tema “Orixás – Teogonia de Umbanda” e assunto “Estudo Comparado dos Orixás”.

Orixá Exu – O Trono Masculino da Vitalidade

Exu, Shiva, Hermes, Pã, Príapo, Dionísio, Min, Bes, Seth, Savitri, Lóki, Baal, Shulpae, Shullat, Kanamara Matsuri, Baco, Anzu, Comentários.

Exu — Divindade africana, da cultura Nagô que predomina na região da atual Nigéria e parte da Republica Popular do Benim. É o Trono da Vitalidade e também um Trono Tripolar (vitaliza, desvitaliza ou neutraliza toda e qualquer ação).

Orixá Exu tem origem Nagô, onde é Divindade fálica, age também no sentido do vigor físico e espiritual. Seu nome, na língua Yorubá, quer dizer Esfera, mostrando ser uma Divindade que atua em Tudo e em todos os campos.

Considerado o mensageiro dos outros Orixás, Exu vitaliza ou desvitaliza qualquer um dos sete sentidos, sendo muito evocado e muito atuante pela abrangência de seu mistério.

O tridente, ferramenta de Exu na Umbanda, nunca teve conotação negativa, pelo contrário. O Tridente sempre foi algo divino nas culturas pagãs anteriores ao Cristianismo, por isso a cultura católica fez questão de pregar o inverso, para facilitar a conversão de seus fiéis e fazer com que esquecessem os mistérios a que tinham acesso direto. Agora o único acesso a qualquer mistério estaria na mão de um Sacerdote Católico.

Podemos citar o uso de Tridente por Zeus, Netuno, Tritão, Posseidon e Shiva, entre outros. Esses tridentes mostram o valor divino concedido a eles; a trindade; o alto, o meio e o embaixo; Céu, Mar e Terra; Luz, sombra e trevas; Pai, Mãe e Filho; etc. Na cultura católica, essa trindade perde toda sua relação com o tridente e aparece apenas como Pai, Filho e Espírito Santo, deixando de lado o elemento feminino, tão importante, que se concentrará na figura de Maria, Mãe de ­Jesus.

Assim, Exu evoca seu mistério do vigor e o mistério tridente já tão deturpado em nossa cultura, mas de grande valor como mistério divino, pois trás em si poder de realização, desde que manifesto da forma correta.

Elegbara – Também conhecido como Elegba, Legba, Elebá, Lebá, Elegua, Légua e outros é divindade da cultura Gêge, Vodun, na língua Fon. Seu nome significa Poderoso , tem em si todas as qualidades do Orixá Exu, e de cultura tão próxima na África houve também sincretismos. Elebara é sinônimo de Exu e tornou-se na cultura Yorubá, também, uma das qualidades do Orixá Exu.

Aluvaiá – Este é o nome da Divindade da Vitalidade na cultura bantu, na língua quimbundo, portanto é um “inquice”, é o Exu dos Cultos Angola/Congo.

Shiva – Divindade hindu, é a terceira pessoa da trindade formada por Brama, Vishnu e Shiva, na qual um constrói, ou outro mantém e o terceiro destrói a criação para que torne a construir outra vez. Tem como consorte (esposa) Parvati, que também se manifesta como Durga ou Kali. Pai de Ganesha a quem deu o titulo de Senhor dos Exércitos de Shiva. Shiva reina sobre todos os seres “infernais” e “trevosos” ele tem o poder destruidor e transformador. Shiva é o grande Yogue o Maha Deva (Grande Deus), todos vão a sua cidade natal Varanasi para passar os últimos dias de vida ao lado do Rio Ganges assim depurando o carma, para ao desencarnar na Cidade de Shiva ficar livre da roda dos renascimentos, Sansara. Shiva é Fálico, nos seus rituais chamados Puja o sacerdote Pujari, faz oferendas em torno de um lingan que representa o falo de Shiva. O lingan é todo besuntado com (iogurt) e mel que também consiste da oferenda. Shiva usa um Tridente que representa seu poder trino, enquanto terceira pessoa, e também para lembrar que onde está uma pessoa está as três pessoas. O Tridente também representa o poder no Alto, no meio e no Embaixo.

Shiva enquanto terceira pessoa da trindade também manifesta qualidade de outras divindades ou Orixás, pois uma de suas manifestações é chamada de Nataraja quando Shiva aparece dançando dentro de um circulo de fogo. Sua dança é quem mantém o universo em constante movimento, é a Dança Cósmica do Universo. No fogo, na dança e na destruição podemos associar Shiva a outros Orixás, o que é normal pois mesmo Ogum se manifesta de formas diversas, quando manifesta a lei no campo dos outros Orixás.

Hermes — Divindade grega, filho de Zeus com a ninfa Maia, é o mensageiro dos Deuses. Responsável por tudo que se relacionasse com movimento, viagem, estradas, moeda e transações comerciais. Por isso aparecia sempre usando um chapéu de viajante e sandálias aladas. Na mão, levava uma varinha mágica feita de duas cobras enroscadas em uma haste.

Pã — Divindade grega, filho de Hermes, torso humano, pernas e chifres de bode, deus dos campos, dos pastores e dos bosques. Adorava a companhia de Sátiros, excelente músico e dançarino, adorava perseguir as ninfas. De voz aterradora é a partir de seu nome que surgiu a palavra “pânico” que diz respeito a assustar-se com a presença de Pã.

Príapo — Divindade grega, filho de Afrodite e Hermes, Divindade fálica da fertilidade.

Dionísio — Divindade grega, filho de Zeus e de Sêmele, Deus dos vinhos e folguedos, vagava por todo o país bebendo vinho e dançando sem parar. Teve seu culto inicial mais ligado aos aspectos de divindade da floresta, possuindo qualidades fálicas foi deixando para trás sua natureza vegetal, lembrada apenas pelo vinho e videiras. Como divindade fálica, aparece com sobrenomes como Ortos, “O Ereto”, e Enorques, “O Bitesticulado”.

Min — Divindade egípcia, Divindade fálica, também da abundância, da fertilidade, da força, do poder e do vigor.

Bes — Divindade egípcia, “Deus da Concupiscência e do Prazer”, de origem estrangeira, aparece de pé sobre um lótus; também é fálico.

Seth — Divindade egípcia, Senhor do Caos ou da desordem, também transmite força, poder e vigor. Atua de forma tripolar e muitas vezes atuará no campo do Trono Oposto ao Trono da Lei, pois sua presença gera a desordem, bem como sua ausência beneficia a Ordem Divina.

Savitri — Divindade hindu, “su” raiz do nome (“estimular”) é o “estimulador de tudo”.

Lóki — Divindade nórdica, irmão de Odim, é Divindade de força e poder que muitas vezes direciona todo esse potencial de forma não compreensível. Incansável em suas ações, é em si o próprio mistério do Vigor agindo de forma dual, ora positivo e ora negativo.

Baal — Divindade caldéia, cananéia e fenícia, “Senhor” ou “Esposo”. Também é um deus fálico.

Shulpae — Divindade sumeriana com uma série de atribuições, incluindo fertilidade e poderes demoníacos.

Shullat — Divindade sumeriana, consorte de Hanish. Servo do deus sol. Equivalente a Hermes, o mensageiro divino.

Kanamara Matsuri — Divindade japonesa, “falo de ferro”, senhor da fertilidade, reprodução e sexualidade, trazia fartura e a cura para a impotência e a esterilidade.

Baco — Divindade grega do vinho e da vindina, da devassidão e do alvoroço.

Anzu — Divindade babilônica, Águia de cabeça de leão, porteiro de Enlil, nascido na montanha Hehe. Apresentado como o ladrão mal-intencionado no mito de Anzu, mas benevolente no épico sumério de Lugalbanda.

Comentários: O Trono Masculino da Vitalidade, Exu, tem sido muito mal compreendido desde que fomos dominados por uma cultura que vê a união carnal como pecado original. A região sacra do corpo humano tornou-se algo a ser escondido como vergonhoso. A fertilidade divina perde sua relação com o vigor físico, logo as Divindades fálicas são mal compreendidas e facilmente associadas a algo negativo. Espiritualmente o órgão sexual, responsável pela concepção, geração, multiplicação e perpetuação da espécie é divino, sem dúvida, sendo algo negativo a “bestialização” do que nos foi reservado para o Amor. Logo, a vitalidade, o vigor e o estímulo são algo essencial para a vida, pois é aplicado não apenas com ­conotação ­sexual e sim em todos os campos da vida, pois uma pessoa desvitalizada ou desestimulada, rapidamente, vai perdendo a vontade de ­viver.

Entendemos assim que, como esse, muitos outros mistérios e tronos de Deus são incompreendidos; nossos tabus e conceitos muitas vezes encobrem a visão do que é sagrado e divino em nossas vidas. Arquétipos da Umbanda - Linha de Exú - Mistério Guardião.

POR QUE ASSENTAR O EXU GUARDIÃO? Todos os que conhecem a Umbanda e os cultos afro brasileiros sabem que, antes de qualquer trabalho ser iniciado, é preciso ir até a tronqueira ou casa de Exu e firmá-lo, para que ele possa atuar por fora do espaço espiritual do templo (tenda ou Ilê Axé), protegendo-o das investidas de hordas de espíritos “caídos” que estão atuando contra as pessoas que buscam auxílio espiritual e religioso que possa livrá-las dessas perseguições terríveis.

Para que um trabalho transcorra em paz, harmonia e equilíbrio, e para que os guias espirituais possam atuar em benefício das pessoas e trabalhar os seus problemas, é preciso que a tronqueira esteja firmada, porque assim, ativada, ela é um portal para o vazio relativo regido pelo senhor Exu guardião ligado ao Orixá de frente do médium dirigente do templo.

Um Exu guardião é assentado na tronqueira, e vários outros são “firmados” dentro dela, sendo que estes que estão ligados a outros senhores Exus guardiões de reinos e de domínios regidos por outros Orixás.

Os outros não podem ser assentados, senão dois vazios relativos se abrem “ao redor” do espaço espiritual “interno” do templo, e a ação de um interfere na do outro.

Um só Exu guardião é assentado, e todos os outros são só “firmados” na tronqueira, pois, se dois forem assentados na mesma, a ação de um interferirá na ação do outro vazio relativo aberto no “lado de fora” do templo.

Assentar o Exu e a Pombagira guardiã no mesmo cômodo ou “casa de esquerda” é aceitável, porque o campo de ação dele se abre no “lado de fora” e o campo dela se abre para dentro do “lado de dentro” do templo, criando a polarização com o campo do Exu guardião.

•O campo do Exu guardião é o vazio relativo que se abre no lado de fora do espaço virtual interno do templo

•O campo da Pombagira guardiã é o “abismo” que se abre para “dentro”, a partir do espaço espiritual interno do templo

•Esses dois Orixás são indispensáveis para o equilíbrio de um trabalho espiritual, porque um atua por fora e o outro atua por dentro do templo.

•Um se abre para fora, repetindo o mistério das realidades, e o outro se abre para dentro, repetindo o mistério das dimensões.

•Exu retira do “espaço infinito” tudo e todos que estiverem gerando desequilíbrio ou causando desarmonia.

•Pombagira recolhe ao âmago do espaço infinito tudo e todos que o estiverem desarmonizando.

São duas formas parecidas de atuação, mas Exu retira, e Pombagira interioriza.

Comparando o espaço infinito com um vulcão, Exu seria o ato de erupção, quando ele descarrega a intensa pressão interna. Já a ação de Pombagira, seria a das rachaduras internas, que a pressão abre dentro da crosta, nas quais correm e acumulam-se toneladas de lava vulcânica, que se acomodam e, lentamente, se resfriam e se cristalizam, gerando enormes acúmulos de minérios e cristais de rochas.

Para se fazer um bom trabalho na residência de alguém, assim que chegar, deve-se ir ate o quintal, riscar um ponto de Exu, colocar um copo de pinga, firmar as velas nos pólos mágicos e invocar o Orixá Exu e o seu Exu guardião, pedindo-lhes que descarreguem todas as sobrecargas e recolham todas as demandas feitas contra os moradores da casa e até contra ela.

O mesmo deve ser feito com Pombagira para que, só então, o médium comece a trabalhar espiritualmente, porque, aí sim, todas as cargas e demandas terão por onde ser descarregados. E mesmo as entidades negativas que tiverem de ser transportadas para que recolham suas projeções negativas virão de forma ordenada e equilibrada, não causando nenhum problema durante o trabalho.

Quando se vai com alguém na natureza para descarregá-lo, tanto o médium deve firmar suas forças em casa como deve, pelo menos, firmar Exu ou Pombagira no campo vibratório escolhido, para não ter contratempo algum durante o trabalho de descarrego na natureza.

São medidas indispensáveis para que um bom trabalho seja realizado e tudo transcorra em paz.

Esperamos ter conseguido transmitir os fundamentos necessários para que o ato de “firmar” a esquerda não seja mal interpretado, e sim visto como indispensável para que os bons trabalhos sempre sejam realizados, tanto em benefício próprio quanto dos nossos semelhantes.

Ao falarmos de Exu, parece que estamos “chovendo no molhado” mas ao descreve-lo da forma que iremos fazer, estamos chovendo em solo muito seco e árido. Sabemos que Exu tira com a mão esquerda e devolve com a mão direita.

Se estivermos negativos e agindo de forma negativa, Exu tira a nossa alegria desvitalizando-nos, pois quem atua de forma negativa contra seu semelhante, não merece sorrir e esbanjar alegria. Mas Exu também devolve a alegria quando passamos a agir positivamente, pois só quem faz o bem pode sorrir e esbanjar felicidade. Exu tira quando nos negativamos e devolve quando nos positivamos.

Por isso dizemos que o mistério Exu na origem é neutro, porem no meio ele não tem o livre arbítrio, pois no meio ele é regido pela Lei Maior e por uma de suas leis auxiliares que é a Lei do Carma e cobra quem deve e paga quem merece.

Se estivermos agindo negativamente contra um semelhante, Exu tira a nossa saúde desvitalizando-nos e adoecendo-nos, pois quem agir contra um semelhante roubando-lhe a tranqüilidade mental, não merece ter saúde, força e disposição para tal feito. Mas Exu também devolve a saúde revitalizando-nos quando passamos a agir positivamente, pois só depois de estarmos doentes (ausentes de Deus) é que vamos perceber o quanto é bom ter saúde (plenitude em Deus) e nos voltarmos para Ele, nos redimirmos, fazermos uma reforma intima e nos positivarmos e ai sim, exu devolve nossa saúde, pois aquele que faz o bem e é virtuoso deve ter saúde, força, disposição e vitalidade para ajudar o próximo.

Exu é o guardião que dá e tira, é o Orixá que tira-dando e dá-tirando, pois devolve a doença e tira a saúde, isso quando estamos agindo negativamente contra uma pessoa e tira a doença e devolve a saúde, isso quando estamos positivos, virtuosos e semeando o bem. Exu nos ampara quando estamos virtuosos e nos esgota e pune quando estamos viciados.

Exu enquanto elemento mágico-espiritual ativado e oferendado na natureza, não possui livre arbítrio, para essa força ativada em nosso nível não há principio, só meio e quando falamos PRINCIPIO, isso tem o significado de origem, pois na origem exu é neutro e no meio ele é dual e assume a natureza intima que lhe derem, pois não tem livre arbítrio. Se avançarmos na lei do carma num estudo racional e pensarmos de forma imparcial, veremos exu como executor da lei do carma à serviço da Lei Maior, pois em verdade não recebemos uma demanda ou ao menos um pensamento negativo sem merecermos, pois até um espírito sofredor ou um obssessor nos é ligado por afinidades concernentes a lei carmica. Nessa encarnação podemos até ser pessoas de bem e virtuosas, porem devido ao nosso adormecimento na carne, não sabemos o que fomos em outras encarnações, pois podemos ter débitos de uma encarnação ocorrida à cinco mil anos atrás e só agora que estamos aptos, ou seja com um nível de consciência elevada, somos cobrados pela Lei Maior onde, a lei do carma entra em execução para saldarmos a nossa divida para com um ato cometido quando estávamos em desequilíbrio.

Uma ação negativa ela sempre tem um inicio e não importa quando, um dia prestaremos conta da mesma. Servindo-se de um exemplo dizemos assim: Dois amigos que entre eles nunca houve um antagonismo que pudesse abalar sua amizade, porem por um motivo de ciúmes uma das partes toma uma atitude negativa assassinando o outrora amigo, atitude esta que ira marcar para sempre seu espírito. Podemos relatar aqui, por exemplo, Caim e Abel, os dois irmão bíblicos. Ali na gênese relata que Caim teria sido um dos primogênitos que havia nascido na terra de gravidez normal resultante de relações humanas sexuais entre Adão e Eva, Tanto ele quanto Abel teriam sido “supostamente os primeiros” seres humanos encarnados, pois eles não viviam no “paraíso” com seus pais e “nasceram” aqui na terra.

Pois bem nessa historia devemos nos atentar para a verdade oculta por traz da alegoria, se não vejamos: Os dois espíritos estavam na sua primeira encarnação, eram espíritos naturais que haviam adentrado em seu primeiro ciclo encarnacionista e estavam isentos de débitos e não possuíam carmas anteriores. Através de um sentimento negativo tipicamente desumano que é a inveja, um dos muitos sentimentos negativos que nos afastam de Deus tornando-nos vazios de sua plenitude, Caim adquiriu seu primeiro carma ao matar seu irmão Abel, ali os dois estavam isentos de carmas, pois eram espíritos que estavam realizando seu primeiro ciclo encarnatório, porem Caim adquiriu seu primeiro carma e um dia não importa quando a Lei Maior cobraria essa pendência ou carma que foi adquirido em um ato negativo quando Caim em desequilíbrio e ausente de Deus, cometeu esse pecado por estar vazio de sentimentos positivos (Deus) e como quem rege o vazio ou o estado do vazio é Exu, O Senhor Guardião das Esferas dos Vazios, onde tudo que se negativa torna-se vazio, pois Deus é plenitude e virtuosismo e fora Dele (vicio) nada existe e ninguém sub-existe, então todos os seres que em seu vazio relativo preenchidos com sentimentos viciados sejam eles de ódio, inveja, traição, cobiça, fúria, intolerância, etc, adentra no campo desse guardião do vazio que é Exu para que assim possam ser esgotados dos seus vazios relativamente cheios de sentimentos negativos.

Sendo assim, Exu é guardião desses vazios e a Lei Maior usa de seu mistério com intensidade como executor de carmas que só é adquirido quando infringimos a Lei Maior, ou seja, quando em desequilíbrio ou desarmonia (ausência de Deus) Cometemos algum ato negativo. Se Deus é harmonia e equilíbrio, os antônimos desses dois estados estão indicando um vazio relativo ou uma ausência de Deus e sabemos que fora de Deus nada existe.

Exu O Orixá é uma Divindade Planetária ou Divindade Maior de Deus, tem suas hierarquias de seres que trabalham sobre a Sua irradiação. Tem suas divindades médias, menores, classes de seres divinos, seres elementais,naturais, até chegar ao nosso nível que são de seres espiritualizados e humanizados.

Não podemos jamais confundir a Divindade Maior Exu com espíritos exunizados que nós trabalhamos ou espíritos elementais naturais que nós oferendamos. Devemos distinguir a Divindade Maior Regente de um Mistério de Deus, dos seres que somente manifestam essas qualidades, para que assim não venhamos a descaracterizar e nem humanizar demais uma Divindade cuja natureza e origem é divina e que atua em toda a criação e não esta somente voltada para nós ou para nossa realidade. Não podemos confundir o Orixá Maior Exu , com os espíritos que se manifestam e incorporam sobre sua regência, pois esses espíritos estão em evolução, quanto o Orixá Maior Exu, é uma Divindade Maior de Deus e que realiza sua função em toda a criação de Deus amparando todas as criaturas geradas pelo Divino Criador.

Então o Orixá Maior Exu na origem Ele é neutro e guarda o estado do vazio, no meio espiritual a Lei Maior utiliza esses espíritos que foram exunizados ou utiliza espíritos vazios para executar carmas adquirido por nós não importando quando adquirimos esses débitos, pois a semeadura é livre e a colheita é obrigatória e no fim esta a onisciência de Deus que tudo sabe e somente quando estivermos elevados e adquirirmos uma consciência maior de suas Leis, tem inicio a colheita dos vazios que semeamos, pois já amadurecemos como seres humanos e estamos aptos a colher os frutos amargos que plantamos enquanto estávamos também vazios de sentimentos. Precisamos entender que até um espírito obcessor que nos tira a paz, esta ligado carmicamente conosco por fios invisíveis e devemos meditar quanto essa atuação, pois na maioria das vezes ela não esta refletida em um ato dessa encarnação e sim de outras vidas e a vitima de hoje talvez tenha sido o algoz de ontem.

Sendo assim, exu enquanto elemento mágico ativado em um ponto de força na natureza, não possui livre arbítrio e a lei utiliza-se desse meio e condição dos espíritos exunizados para atuar através deles na lei do carma e ir esgotando os débitos e devolvendo os créditos, permitindo assim que a semeadura seja livre, porem a colheita obrigatória.

Fonte:Livro - Orixá Exú - A Fundamentação do Mistério na Umbanda - Rubens Saraceni - Ed.Madras.

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